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sábado, 2 de abril de 2011

A MENINA DO LEITE



                                           A MENINA DO LEITE
Laurinha, no seu vestido novo de pintas vermelhas, chinelos de bezerro, treque,treque, treque, lá ia para o mercado com uma lata de leite à cabeça - o primeiro leite da sua vaquinha mocha. Ia contente, rindo-se e falando sozinha. 
- Vendo o leite - dizia, e compro uma dúzia de ovos. Choco os ovos e antes de um mês já tenho uma dúzia de pintinhos. Morrem...dois, que sejam, e crescem dez - cinco frangas e cinco frangos. Vendo os frangos e crio as frangas, que crescem e viram ótimas botadeiras de duzentos ovos por ano cada uma. Cinco: mil ovos! Choco tudo e lá me vêm quinhentos galos e mais outro tanto de galinhas. Vendo os galos. A dois cruzeiros cada  um - duas vezes cinco, dez... - mil cruzeiros... Posso então comprar doze porcas de cria e mais uma cabrita. As porcas dão-me, cada uma, seis leitões. Seis vezes doze...
Estava a menina neste ponto quando tropeçou, perdeu o equilíbrio e, com a lata e tudo, caiu um grande tombo no chão. 
Pobre Laurinha! 
Ergueu-se chorosa, com um ardor de esfoladura no joelho; e enquanto espanejava as roupas sujas de pó viu sumir-se, embebido pela terra seca, o  primeiro leite da sua vaquinha mocha e com ele os doze ovos, as cinco botadeiras, os quinhentos galos, as doze porcas de cria e a cabritinha - todos os belos sonhos da sua ardente imaginação... 
  Fábulas, Monteiro Lobato
Post. 
Nicéas Romeo Zanchett 
AS FÁBULAS DE ESOPO

Um comentário:

  1. Prezado
    interessante a trizteza da menina ligada a vaquinha e o leite, por vezes choramos o leite derramado antes de olharmos outros caminhos, gostei
    att
    Irene Izilda

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